Santiago do Chile

A capital chilena e seu leque de atrativos

A capital chilena homenageia o santo “São Thiago”, mas deixou claro que ele não é o padroeiro da cidade. Por lá melhor ter isso bem claro, São Tiago ali só no nome da cidade, o santo padroeiro é outro, ou melhor outra, a Virgem do Carmo.

Fundada em 12 de fevereiro de 1541, por Pedro Valdívia, conquistador espanhol se instalou no vale do Rio Mapocho em meio a uma numerosa população indígena que resistiu bravamente a tomada do seu território. A vila se estabeleceu em forma de grade, modelo hispano de urbanismo, em que consistia em varias ruas longitudinais compondo quarteirões e uma praça maior central com a Capela, e as principais edificações.

A Santiago chilena é de visitar com calma, curtir a bela vista da cordilheira e passear por suas ruas tão diversas a cada esquina. Depois do terremoto de 2010, o centro histórico foi o mais danificado e recebeu obras de restauro e reconstrução de estruturas danificadas. Sendo o Museu de Santiago Casa Colorada um dos mais afetados, ele reabriu recentemente com novas salas e mais inclusivo. Vale a pena a visita, onde por meio de maquetes, mapas históricos, impressões 3D, pinturas, fotografias o museu conta a história da cidade ao longo dos séculos.

Ainda no quesito museus, há a possibilidade de visitar também o Museu de Arte Pre-Colombiana, e acompanhar a diversidade cultural das várias etnias que habitaram e habitam a América. Com um riquissímo acervo e modernas instalações, pode-se ter acesso a uma parcela de 12% de objetos dos povos originários presencialmente, sendo o acervo total de 10.000 peças com a opção de acesso on-line. Realmente, uma experiência única, pois devido ao imenso acervo novas exposições são frequentes, uma mais interessante que a outra. É possível viver a latinidade dos povos originários de forma intensa e muito bem catalogada.

Ainda no circuito central, o “Palacio de la Moneda“, sede do governo, marcado por grandes acontecimentos, o mais marcante ocorreu na década de 1970. Quando o palácio sofreu um bombardeio, o 11 de setembro que deu inicio a ditadura chilena, em que através de um golpe, Augusto Pinochet tomou o poder com o apoio dos estadunidenses. Salvador Allende, negou-se a entregar o poder as forças armadas, e cometeu suicídio antes mesmo da invasão. É possível realizar uma visita guiada ao local, porém é bastante concorrida, tendo que disputar agendamento prévio apenas alguns dias antes.

Outro museu a abordar esse fato hitórico, é o Museu Histórico Nacional, localizado na Praça de Armas, no Palacio da Real audiencia. Em que há uma exposição permanente a contar-nos a história do período social/democrático chileno(de 1937 a 1973), finalizado com o golpe. Dentre outras salas, expondo toda a história chilena, desde os primeiros habitantes.

A Catedral Metropolitana, está a poucos passos na mesma praça, monumento nacional que recebeu muitas reformas e alterações desde a primeira construção de 1541, devido a várias interpéries. O edifício atual foi construído entre 1748 a 1906, dedicado a Virgem Maria. Muito proximo, encontra-se o Mercado Central de Santiago, prédio de 1872 com sua estrutura metálica trazida da Bélgica para ser remontada ali. O mercado além dos frutos do mar fresquinhos, conta com lojas de vinhos e muitos restaurantes com a culinária local.

A apenas algumas quadras no bairro Bela Vista, encontra-se o Museu Nacional de Belas Artes, inaugurado em 1910 após as obras do Rio Mapocho que deu lugar ao palacio e o Parque Florestal. A planta do prédio em estilo clássico com detalhes art noveau é de autoria do arquiteto chileno/francês Èmile Jéquier ganhador do concurso para o projeto de construção do museu. Sua cúpula central, destaque inesquecível, foi trazida da Bélgica. Recebeu várias modificações ao longo dos anos, ganhou novas alas e alteraram-se outras. O terremoto de 1985 atingiu gravemente o museu, mas foi reconstruído e restaurado preservando sua história. Conta com a exposições de artistas chilenos e estrangeiros desde o período colonial até os dias atuais.

Outro atrativo cultural para visita é o Cerro Santa Luzia com 69 metros de altura, conhecido pelos mapuches como Huelen, foi rebatizado por Pedro Valdívia como Santa Luzia. Em seu cumbre pode-se ter uma vista panorâmica da cidade e da Cordilheira, embora o acesso seja um pouco dificil vale muito a pena subir. O cerro foi de suma importância desde os tempos pré-hispânicos como plataforma cerimonial e de vigilância, fortificações espanholas também foram ali construídas para proteger a cidade colonial. Em fins do século XIX ele foi remodelado e modernizado, ganhou um paisagismo, uma capela em estilo gótico, caminhos, jardins, praças, fontes e o Forte Hidalgo foi convertido em castelo. Ao longo do século XX recebeu novas alterações e construções em estilo neoclássico. O mural em homenagem a poetisa Gabriela Mistral foi construído em 1971.

Próximo a saída do Cerro na Fonte Netuno e logo ao lado do Mural a poetisa, há uma feira artesanal com várias opçoes de souvenirs, produtos locais a um preço muito acessível. Certamente um otimo local para comprar lembrancinhas da cidade. A Feira de Artesanato Santa Lucia, na Avenida Bernardo O’higgins, somente atravessar a rua e chega-se nela.

Há ainda o Cerro San Cristoval, em homenagem a Sao Cristovão santo dos viajantes. É o ponto mais alto da cidade com uma vista panorâmica deslumbrante, teleférico, funicular e o Santuário da Imaculada Conceição inaugurado em 1908. Originalmente na língua dos povos originários se chamava Tupahue, que significa “sintinela”. Foi utilizado como pedreira, e por um bom tempo as pedras das principais construções e ruas da cidade vinham de lá. Em meados do século XIX foram iniciadas ações de reflorestamento da área. Em 1903 foi instalado o Observatório Mills, hoje Manoel Foster. O cerro compõe o Parque Metropolitano de Santiago uma imensa área de 722 hectares.

O parque tem ainda: um Zoológico, trilhas, piscinas públicas, anfiteatro Pablo Neruda, Jardim Botânico, a Casa de Cultura Annahuac, vários jardins, o Parque Bicentenário da Infância. O acesso pode ser feito à pé, de bicicleta ou através do Funicular de 1925 se sobe ao topo, e depois pegar o teleférico na estação Cumbre, e descer ou na Estação Tupahue ou na Estação Oasis. Nesta ultima é uma boa opção para quem quiser conhecer o bairro Providencia e Vitacura e ainda o Shoping Costanera, onde está o Sky Costanera, mirante mais alto da América Latina.

A Santiago atual tem bairros modernos como Vitacura, Las Condes e Providencia, mas ainda preserva muito seu patrimônio cultural, os seus museus tem exposições, acervos e estrutura bem cuidadas. Edifícios, prédios, casarões, enfim ruas que nos remetem ao passado. Sendo muito agradável passear por elas entre um passeio e outro. O sistema de metro também facilita o deslocamento. Bem como, é estratégicamente localizada para a realização de diversos passeios para as estações de esqui, para o litoral (Valparaíso e Vinã del Mar) e para as principais vinícolas chilenas. Uma viagem para fazer várias atividades diferentes para todos os públicos.

https://museo.precolombino.cl/planifica-tu-visita/

https://www.mhn.gob.cl/

https://www.memoriachilena.gob.cl/602/w3-channel.html

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